Irmãos. Ela sentada numa cadeira, com uma revista nas mãos. Ele atrás, com uma escova e um secador.
Ele: Olha! Que cabeça eu tenho... Olha do que fui me lembrar! Mês que vem é meu aniversário.
Ela: Vou te ignorar.
Ele: Meu aniversário... Que interessante!
Ela: Ai! Cuidado com essa escova! (...) Vai ficar bem bonito, não vai?
Ele: É... Pode ser...
Ela: OK. O que você quer ganhar de aniversário?
Ele: Meus 18 anos de volta.
Ela: Não é tão mau fazer 19.
Ele: É mau perder os 18.
Ela: Você não perdeu. Aproveitou deles por um ano.
Ele: Não é o bastante.
Ela: Ai! Você não sabe usar um secador de cabelo?
Ele: Eu sei fazer funcionar.
Ela: Nem parece que é gay.
Ele: Não diga.
Ela: Esse é mais um joguinho pra ver quem irrita mais quem?
(...)
Ele: O que você está fazendo?
Ela: Arrumando meu cabelo.
Ele: Não, isso eu estou fazendo. O que você está fazendo?
Ela: Eu estou lendo.
Ele: E...
Ela: Anotando.
Ele: Pra...
Ela: Pra ter anotado quando eu precisar.
Ele: Na própria revista...
Ela: Bem observado.
Ele: Por que precisaria...
Ela: Eu estou fazendo um teste.
Ele: Que tipo de teste?
Ela: Um testede personalidade.
Ele: Que tipo de teste?
Ela: Um tipo engraçado.
Ele: Eu fiz um semana passada que dizia qual x-man eu sou.
Ela: Aposto que você é o professor Xavier.
Ele: Que tipo de teste?
Ela: Por que você toma tanto café?
Ele: Porque o cara da propaganda toma café na praia com uma gostosa do lado e eu quero ser igual a ele.
Ela: Ele diz qual das estações do ano eu sou.
Ele: Parece um bom teste.
Ela: Tio Johan nasceu e morreu no inverno. Ele com certeza era um inverno.
Ele: Tio Johan não foi o terceiro marido da Tia Salete?
Ela: Esse aí.
Ele: Ele passou a vida toda na Finlândia.
Ela: Mas ele nasceu e morreu no inverno. Morreu um dia depois que nasceu.
Ele: 79 anos e um dia depois que nasceu.
Ela: Existe um x-man gay?
Ele: Não, mas existe um que arrumaria seu cabelo sem precisar do secador.
(...)
Ela: Não pode ser.
Ele: O quê?
Ela: Seu presente. Escolhe outra coisa.
Ele: Então quero meus 17 anos de volta.
Ela: Tá bom, então eu escolho alguma coisa.
Ele: Quero uma viagem. Pra Finlândia.
Ela: Visitar o túmulo do seu tio?
Ele: Fazer um curso de cabeleireiro.
Ela: O que você quer?
Ele: Uma moto.
Ela: Outro.
Ele: Um piano.
Ela: Outro.
Ele: Uma adega.
Ela: Outro.
Ele: Uma máquina de café expresso.
Ela: Outro.
Ele: Você não quer me dar nada que eu queira.
Ela: Isso não vai funcionar. Eu posso ficar horas jogando seu joguinho...
Ele: Quero trazer a vó pra passar uns dias com a gente.
Ela: Desisto. O próximo que você disser é seu.
Ele: Um gato.
Ela: Outro.
Ele: Está decidido.
Ela: Você não vai trazer um gato pra dentro da nossa casa.
Ele: Trago amanhã.
Ela: Seu aniversário é só mês que vem.
Ele: Amanhã de manhã.
Ela: Eu escolho o nome.
Ele: Sem chance.
Ela: Então vou vestir ele de vez em quando.
(...)
Ela: Olha do que fui me lembrar! Eu também faço 19 anos no mês que vem. No mesmo dia que você.
Ele: Esquece, comigo não vai funcionar.
Ela: Você é o professor Xavier, não é?
Ele: Sou o Ciclope.
Ela: Não é não. Você é o professor.
Ele: Sou o Ciclope. Na primeira tentativa. Respondendo honestamente.
Ela: Que droga! Eu sou uma primavera, definitivamente.
12 de janeiro de 2008
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